Servidores atletas do TJRN desafiam seus limites além-fronteiras

Desafiar os próprios limites é uma prática constante da vida, dessa que é aproveitada a cada segundo por quem desenvolve o dom de valorizar o ar que entra pelas narinas, mantendo o corpo firme e a mente centrada. Respirar se torna, assim, a unidade entre correr em uma grande maratona e desempenhar as atividades de uma rotina que consome nossa energia.

Os servidores Edvaldo Araújo e Giuliano Maia, da Redação Judiciária do Tribunal de Justiça do RN, decidiram dessa vez experimentar o ar da capital argentina, tendo o prazer de participar da melhor corrida coletiva da América do Sul, eleita pela organização All-Athletics, a Maratona de Buenos Aires.

Em 22 de setembro, o solado gasto nas ruas portenhas representava o fim de uma trajetória que se iniciava meses antes, em uma rotina de buscas pela superação dos extremos.

O ciclo de treinamentos dedicados à Maratona de Buenos Aires durou quatro meses, contando com treinos de rua e uma rotina intensa de musculação e preparação aeróbica. Cumprir aquele percurso, na segunda maior metrópole da América do Sul, foi a maneira que Edvaldo e Giuliano encontraram para coroar o período de empenho que antecedeu o evento. 

Edivaldo Araújo cumpriu o trajeto de 42km na marca de 3 horas 43 minutos 27 segundos. Para ele, a corrida é um esporte solitário, mas também é um momento propício para conhecer o corpo e se encontrar com os próprios pensamentos. O próximo passo do servidor é se preparar para alcançar o índice necessário para participar da Maratona de Boston em 2020.

Giuliano Maia concluiu o percurso em 2 horas 52 minutos e 47 segundos, e já está apto para participar da corrida na cidade mais populosa do estado norte-americano de Massachusetts, a capital Boston.

 

Abaixo, Edvaldo e Giuliano relatam a emoção de competir em uma prestigiada prova.

“La Maratón de Buenos Aires. A maior e a mais rápida maratona da América do Sul. Prova com selo bronze de IAAF federação internacional de atletismo. Buenos Aires é o refúgio dos corredores em busca do sonho de conquistar seu RP (recorde pessoal). Altimetria, clima prefeito para atingir seus objetivos. Largar com 8 graus e sentir mãos e pés congelados, para um nordestino, é coisa estranha, só depois de alguns quilômetros percorridos é que a coisa vai voltando a normalidade, e o calor da prova vai lhe proporcionando segurança para seguir em frente em busca daquela tão sonhada linha de chegada.

Na altura do km 35, o corpo começa a sentir os efeitos da exaustiva atividade. Neste momento é preciso trabalhar bem o psicológico. Fazer uma avaliação completa do corpo para evitar o temível MURO dos 35 km, tão falado entre os maratonistas. Na cabeça do corredor passa muitos pensamentos nesses últimos quilômetros. É preciso expulsar os pensamentos perturbadores e se concentrar naqueles que te fortalece. Lembramos quantos sacrifícios feitos até aquele dia. Quantos treinos realizados sob sol forte, sob chuva, pela madrugada, dos inúmeros treinos de pista que a dor e o cansaço se tornam parceiras. Lembra-se da meta traçada. Olha pra o relógio e vê se está dentro do previsto.

De repente, você se depara com a placa do km 40, faltam 2 quilômetros, estamos atingindo o ápice do cansaço. Aqui só pensamento em cruzar o pórtico. Vencido esses 2 quilômetros, nos restam 195 metros. Esses se tornam eternos. A emoção e o coração tomam de conta de tudo. O vulcão das emoções, uma descarga de adrenalina, endorfina repentinamente erupciona e o cansaço fica apenas no passado. Ao cruzar a linha de chegada temos a firme convicção que valeu tanto esforço.

Levantamos à vista e miramos o relógio do pórtico. Nele marca toda nossa superação. Ele escreve no rol pessoal o tempo que fica gravado no nosso íntimo pelo resto da vida. Cruzamos e lá estava registrado nosso tempo de prova, Giuliano Maia: 2 horas 52 minutos e 47 segundos, mais uma vez alcança o índice para Boston/EUA, Edivaldo Araújo, 3 horas 43 minutos 27 segundos, uma conquista inesperada, alcançando o sonhado Sub4horas e RP. Estas marcas ficaram marcadas em nossa história, com a medalha no peito, um sonho realizado e o gosto de um verdadeiro campeão da vida!

No dia seguinte, já começamos a pensar qual será o próximo desafio, que nova marca iremos desafiar.

Assim foi a maratona de Buenos Aires de 2019.” 

Edvaldo Araújo

 

 

*Fotos:  Divulgação / Foto Run

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